sábado, 30 de junho de 2007

K

Deserto

Caladas as palavras,
sentado em mim,
cobre-me a solidão...

Calada a luz,
em alva negritude,
espalha-se
qual balde de sangue,
em cerimónia
pagã.

Arfando
vem o deserto;
em mim, nesgas
(farrapos)
acolhem-no,
como as palavras
(caladas)...


(inspirado num poema de Moriana)

quarta-feira, 20 de junho de 2007

K

(...)

Quero deitar-me
na fagulha,
e entrever
o céu
por entre os pinhais,
quero ser bafo,
bafo ardente.

Quero deslocar-me
ao sabor de mim,
quero ser luz,
água,
água alumiada.
Não quero mais obscuridade,
nem gélidas sensações...

Agora,
a liberdade,
tão esperada
o canto que vem
unânime....
a espada que se embainha
o fogo domesticado...
K

Divertimento em espera

Abafo um grito.
De rudeza, espero.
Por ti, a minha voz.
Eleva-se, qual pardal.
De telhado, ao sol.
Detalha a pele,
remira o sonho.

É o tempo das esperas.
Das brasas cruas.
Cru é o tempo
em que vives,
acocorada,
esperando...

quarta-feira, 6 de junho de 2007

K

A Deus

Ressoavam ecos,
entre altares labirínticos,
em templos há muito sepultados;
num adeus longínquo, saudoso.
Mil vozes entoando,
subindo em crescendo, alargando,
expandindo, pulsando
nos corredores duma memória,
tão adormecida, esquecida,
dormente de um Deus
há tanto tempo
esperando a Criação,
que lhe fora virando costas,
desaparecera,
nem Ele sabia para onde…

Hoje, a Deus.
Agora, a Deus, devotos.
Desprezados,
torturados,
esmagados,
num Reino que o Senhor disse
não ser o Seu…
Joelhos pregados,
mãos juntas,
erguidas,
numa prece lenta, sem pressa,
numa prece já esquecida por Deus…
Debruçou-se, então, sobre a Terra,
criação Sua,
enlevo Seu.
Suas mãos aconchegaram
o Seu Povo crucificado.
(Mãos de Deus num enlevo nas mãos juntas dos homens).
Deus suavemente silenciou
os Seus anjos.

E uma Paz já esquecida,
flutuou sobre o Pastor,
iluminou o Seu rebanho,
suave, docemente....


(16/08/97)

terça-feira, 5 de junho de 2007

K

Vagas antigas revolteavam

sem nexo,

iam, voltavam...

nesgamente assomavam

os rudes trombos que s'iravam.


Travavam contra as naves

e soavam,

soavam pétreos os madeiros,

que salvavam

os homens que suavam,

mantendo a derrota.


E as vagas inconscientes

do seu poder,

dementes

quási quebravam, dormentes

aqueles que por mister

o prometer era não ser

alga, areia, pedra....

escurecer...


(25/03/91)

domingo, 3 de junho de 2007

K

Gotas de cinza

Como sombras,
evolamo-nos,
ardentes e cinza,
lentamente
tornamo-nos
ar e sopro
e, obliquamente,
desvanecemo-nos
em nada,
quase de soslaio...

"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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