quinta-feira, 29 de maio de 2008

fluidez em dó menor


Flui o olhar,
o som,
a altercação.
Flui em sentido,
em pária névoa,
em gaveta;
aberto,
num súbito desdobrar
de umas asas altaneiras;
daquele voo
(esquecido)
na fluidez do raio.
Ecoam cravos,
percussões latentes também,
o ribombar das cordas,
o fluir do olhar,
da vista encantada.
Drapejam velas,
asas,
na fila desaustinada
daquele sopro,
em que nada se queda,
na queda dos olhos,
naquela altercação sonante...


(em 26/05/08, 19H40, estação do metro Cidade Universitária)

terça-feira, 27 de maio de 2008

(...)...entre dentes cicio,
uma fala cega.
Um dizer em arco,
sem pilar,
em coluna de água,
baça.
Navego em quedad'água;
montes riem altivos,
há três ou quatro largos,
cinco caminhos verdes.



Um arco pulou em súbito desejo,
em brilho oco,
em estoque mosqueteiro.
Assim se juntou a ponte,
assim se uniu o fado...
(a partir dum poema de blindness)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

vitória...



(...) esse silêncio,



será a ausência,

a fuga cega,

o esquecimento opresso, longe;


já são nada:
o signo ou a lança,
a carne fincada, o ferro


(o não)

terça-feira, 13 de maio de 2008

hoje é dia feriado

Espio-me pelas grades d'ontem.
O feriado não chegou a despontar;
restou a tarde,
o frio pela janela fora,
um gemido espinha acima,
olhos de longe,
em fuga.

(...)
A cadeira só,
um quarto soterrado,
as mão cortadas,
abertas,
secas...
antemanhã,
já dia silente -



(inspirado em Andreii Tarkovskii, in Moriana)