sábado, 31 de julho de 2010

tê de...

Que as minhas mãos,
os meus sentidos,
toda a minha vida,
se enfeite, se enrole, se encante
pela tua,
e assim se alague
pela vasta, loura seara
de T(r)I(go):
(fonte da imagem:
http://avenidadaliberdade.org)

sábado, 24 de julho de 2010

queda VII

abraço os joelhos,
sedimento-me,
ferro o presente,
alucino fantasmas de espera,
espreito,
espreito,
espreito,

(...)

   longínquos os cheiros,
os sons crestados,   ressequidos
      da minha vila, lugar,
memória infinda, gesto puro, só,
do meu querido Alentejo!

(fonte da imagem:
http://blackman.bloguepessoal.com/)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

queda VI

Mantenho os braços cruzados, fechados sob a cabeça,
mergulhados nos olhos desviantes,
na cegueira de desmentidos {acerca}...
cercando o juízo,
a dor do real,
espremida, gotejando silêncios...

[.... lá vai o maluco...]
[... eco, eco, eco...]
[... de escuridão feito!]
[.... lá vai o demente...].

(...)

Talvez volte a casa,
e poisados os arreios da fantasia,
calcorreie sonâmbulo,
novos caminhos de Sol e Lua!
(fonte da imagem:
www.abcgallery.com,
van Gogh, "Semeador
com sol poente") 

domingo, 11 de julho de 2010

vulcán

Debruçou-se:
as águas verteram lume,
submisso, mais do que ágil;
segmentou a linha do tempo:
cortou o espaço
na dúbia exposição do corpo.
Esfregou o génio
nas sobras vivas
de vagalhões em triunfo:
as paisagens álgidas
carreavam
figuras secas, indecisas
(caixões de eras pálidas);
(...)
ao debruçar-se,
ao verter,
apontou o caminho granítico,
a voz-fúria,
a voz-eco,
a voz-voz,
(por)vir
da (r)evolução

(fonte da imagem:
http://www.panoramio.com/)

terça-feira, 6 de julho de 2010

...












Quero encostar o meu sonho
à tranquila, cálida lapela,
ao íntimo voto
do teu sorriso breve 

(fonte da imagem:
http://vozesdotempo.blogs.sapo.pt/,
Claude Monet: "O Sena em Port-Villez. 
A harmonia em azul")

sexta-feira, 2 de julho de 2010

queda V

Caminho pelos teus olhos,
nas estradas lentas,
em restos de falhas apocalípticas.

Diz-me!!
Quem levou as garras,
as fúrias?
Quem aninhou os mares
nos tufos das dunas mnésicas?
Porque erraste pelas praias,
orlas divinas do Santo Ganges ?
Onde estacaste, erva vil,
vasta e ávida de vacuidade?

As lavas ancestrais
choram pelo tempo afora,
deslizam pelas arquejantes têmporas perladas
soçobrando de incertos louvores.

Divago, pois;
e à beira da Lua,
a minha sombra
retém já os teus olhares,
fugazes vestes atónitas...
marcos, pedras, estremas,
padrões vadios de tempos outros.
(fonte da imagem: