domingo, 31 de julho de 2011

K

afago

Quando afagas os teus dias,
diz-me,
ainda perdoas os teus caminhos,
ainda perdoas os teus actos,
ainda perdoas as vezes
em que o teu braço se levantou
na busca da vitória esquiva?
Ou estarás enlouquecida,
a boca paralisada,
no gesto da palavra
maldita,
lento declínio
por uma madrugada
oscilante?

(imagem do autor
obtida com telemóvel)

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domingo, 24 de julho de 2011

K

Hess

Quando Hess tomou a sua vida,
os mares sussurraram aos ventos,
as praias lembraram a Normandia,
e o tempo soluçou,
preso às memórias.

Quando Hess tomou a sua vida,
houve vagas de medos pálidos,
como se a loucura voltasse nua
e as marcas do silêncio
se rebelassem loucas.

Quando Hess tomou a sua vida,
ouvi gritos, lágrimas disfarçadas
pelas botas palmilhadas em rotas
esquecidas pelo juízo,
pela fria, dura História.
Quando Hess tomou a sua vida,
o esquecimento roçou a demência
e as almas aflitas aquietaram-se
na paz que se elevou,
curso doido das nuvens.

(fonte da imagem:

("Agora é a tua época,
a Urbe ainda te espera,
faz o teu trabalho por um tempo,
depois retira-te na tua frugalidade."
(Fala de Dioniso ao ditador
Quintus Cincinatus)

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

K
CONTRALUZ

Vejo-te por entre as sombras do ocaso:
hoje, as brumas deixam sonhar-te;
ao longo da arriba, 
vão-se enrolando as águas e a terra
e o teu pescoço cinzelando as marés;
é neste bocado do dia em que me estendo,
(as mãos sob o queixo)
na espera daquele ápice
em que o céu, o oceano e tu
se fundem 
numa lágrima triunfante,
num suspiro ostentoso,
num compasso magnifico,
Zaratustra 
e Strauss 
e Nietzsche
empoleirados
na mesma clave,
na mesma calote.
 Em contraluz,
em silêncio:
o justo salário
de quem espera
num sorriso 
(mal contido)
as lantejoulas
e outros brilhantes...

(falsos)


(imagem retirada de:
http://marciavilarinhoebook.blogspot.com/)

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sábado, 16 de julho de 2011

K
AGORA

Agora é o tempo de fitar nos olhos
o caminho que percorri:
sugar os ventos,
as madrugadas,
os penhascos em que,
debruçado,
me despenhei,
no fragor de uma infância já perdida;
sim,
é o tempo de fitar nos olhos
os rochedos que me travaram:
a vista humedecida pelo pó
das caminhadas dos outros,
as paragens que os medos forçaram;
hoje,
foi esse tempo:
das navegações em águas rotas de esperança,
em que as velas não apontavam o porto,
e um céu prenhe de baixas pressões
desenhava arco-íris de risos inocentes,
confidências pálidas,
suaves, até,
de tempos, em cadência,
ainda por vir...

(Imagem retirada de 
www.abcgallery.com,
Salvador Dalí:
"Penya Segats,
mulher em frente de 
um penhasco")

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terça-feira, 12 de julho de 2011

K

ponto

É naquele instante,
no momento fixo,
nem antes nem depois,
no eixo da simetria improvável,
no acaso de um tiro na noite,
que o "flash" irrompe,
um véu pela madrugada fora:
os campos,
os telhados,
tudo reluz na vizinhança de um ponto,
o ponto breu.
Já nem se entalham os montes,
as veredas secam ao vento,
intratáveis,
as terras galgam o céu,
na busca do raio do círculo...

Hoje, como ontem,
o decote do horizonte
orla virtudes
nas réstias de todas as eras,
desvanecendo-as 
na simetria 
de um ponto
cego

(foto do autor 
obtida com telemóvel:
Curia, Anadia)

"Se caminhares em círculos,
 chegarás mais depressa,
pois os caminhos de um homem 
são igualmente assimétricos."
(Fala de Dioniso a Fernão de Magalhães,
na sua partida)

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terça-feira, 5 de julho de 2011

K
ANGRA

Regresso.
É na viagem que  me revejo,
no sonho da volta,
no reentrar no ancoradouro
das águas afáveis.
Já nem vejo a corda bamba,
o silêncio tornado juiz,
o refluxo distante;
guardo-me das palavras longas,
ditas na farsa acre do tempo;
hoje apenas quero afundar-me
na maresia cálida, acolhedora,
fluxo dorido das eras
em memória de si mesmas (...)
"Guarda as tuas palavras,
torna os teus gestos comedidos,
não vá
o destino enxergar-te
e lançar sobre ti o cárcere,
a infâmia."
(Fala de Dioniso a
Alexandre, o Grande)

(imagem do autor
obtida com telemóvel:
ocaso em S. Martinho
do Porto, 2010)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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