terça-feira, 26 de junho de 2012

cornucópia

Voltei atrás,
o tempo fitou-me,
para lá dos meus ombros.
Estreitei os meus olhos,
a busca inútil,
os olhos fechados
em espanto tinto
na chama do regresso.
Vem!
Sê audaz na busca!
Faz dos teus olhos
os diademas da tua vitória,
que o teu pulso
seja o signo da tua libertação,
que os teus pés estejam calçados
no clamor da paz.
O tempo fita-me,
os meus olhos abraçam
a imensidão dos sentidos.
Já não há restos de glória,
apenas os tempos mudaram:
os desaires,
as desgraças,
as derrotas,
as privações,
foram levadas pelos torvelinhos
da espuma das cornucópias.
Talvez o tempo seja agora o dono
das margens da abundância,
percalço ambicionado
de uma barcaça que não afundou!

(fontes das imagens:
1ª e 2ª: do autor obtidas com telemóvel
http://www.thebargemaria.com/thebargemaria/Home.html)

sábado, 16 de junho de 2012

Iago


Se erguer as mãos,
                            em jeito de cálice,
se sorrir para ti
                            em jeito de avidez,
se, na tua ausência,
                            em jeito de pesar,
erguer holocaustos,
então saberás 
que a minha religião
entranha-se
pelo meu desejo,
mescla de (ir)reverência,
combinação de mil travos,
de aromas que até o Oriente
tragou já,
na busca delirante 
de uma passagem 
para Sant'Iago...


(fonte da imagem:
http://cagareus.blogspot.pt/2008_05_01_archive.html)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

serena sereia

Não vale a pena ergueres a tua madrugada
no teu canto mesclado de azul e verde;
fala antes para a tua sombra,
seja a melancolia a tua obra
mestra
que sustenta toda a tua vida,
como se fosse o teu Graal.
Há quanto tempo és sol e lua,
advento das auroras
dos dias felizes?

Ergue agora as tuas mãos em cálice,
vibra no fogo da tua mocidade,
cria uma amálgama
de dor e júbilo,
e canta,
canta sempre
aos marinheiros
e a todos os Ulisses
que navegam pelas águas
brancas de temor.


(fonte das imagens:
http://teives.com/books/five-run-away-together
http://mar-e-marolas.blogspot.pt/2011_02_01_archive.html)

domingo, 3 de junho de 2012

abraço


... e é no abraço do Sol,
na quietude morosa
dos seus raios
que me deixo banhar
por infinitas tristezas,
por um largo contentamento,
entre vagas marés de alento,
entre fragas e rudezas.


(fonte da imagem:
http://freerandomwallpapers.com)