sexta-feira, 21 de setembro de 2012

jardim






É ao entardecer:
quando as cidades
decrescem 
num movimento inverso,
quando os cheiros queimados 
parecem querer apossar-se 
do anoitecer,
é nesse tempo indefinido,
nessa pressa sem o ser,
nesses ponteiros imóveis,
que reentro,
tímido,
no meu jardim secreto,
na quietude do meu silêncio,
daquilo a que chamo "meu",
sem invasão possível.
Neste jardim
não há outrem,
nem ninguém.
No meu jardim
tenho todas as plantas,
todos os sentimentos
todas as fantasias,
todos os voos rasantes
na memória,
e nem há parede
que me possa empurrar.
O meu jardim tem as cores,
as formas,
os sons,
as fantasias,
a Verdade,
o Conhecimento e a Razão,
a Filosofia,
e tem o meu Deus,
graças Lhe sejam dadas.

O meu Jardim,
afinal,
quem será?...

(fonte da imagem:
blogue dias que voam)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

estímulo táctil


Estava eu em Istambul,
e uma caixa-matriosca,
marosca, pois,
parou-me nas mãos,
talvez em gestos vãos;
tinha um jeito de russa,
cirílica escrita, não descrita.

Já estava eu em Londres onde,
uma caixa comprida, contida,
surripiou-se prás minhas algibeiras,
às beiras,
e era uma caixa discreta
num tom secreto de vermelho.

Entretanto em Berlim, ai de mim!
uma outra caixa-baú,
vês tu?
acotovelou-me,
tocou-me.
Era uma pequena caixa sem graça,
talvez até roída pela traça.

Afinal, das três caixas,
sem etiquetas ou faixas,
direi com ar astuto,
dentro da pequena caixa estão
o vazio e o zero absoluto!

(fonte da imagem: