sábado, 31 de janeiro de 2015

contendo


O lixo.
Sempre lhe parecera um destino miserável.
Sem precisar de se lembrar que é reciclável,
agora.
Toda a vida fora alguém que não se sabia usar.
Melhor, fora alguém que nunca se soube dar uso.
Acima de tudo, fora um inútil para si próprio,
assim mesmo.
Agora que se via, que se avaliava, suspendera-se,
um suspiro frio, como frio era o seu olhar.
Análise bruta, essa. Desapontamento a escorrer.
Saltou para o caixote,
caiu fora dele.

(fonte da 
imagem: n/a)

(publicado
no blogue de Margarida
Fonseca Santos
77 palavras)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

tempo


Talvez 
tenha passado um ano,
um dia, quem sabe?
O tempo é meu amigo 
ainda,
e nos restos,
nas sombras 
que um relógio 
projecta 
nas paredes
de um amanhecer 
há um entregosto,
uma maré de risos,
de gemidos também.
E por entre os ecos,
as vozes da madrugada,
sente-se o chocalhar
dos seixos que o tempo
se recusa a lembrar.

(foto do autor
obtida com telemóvel)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

longe a luz



 É no Inverno que o orvalho brilha mais
sobre a caruma espalhada.
É no Inverno que o frio escorre por nós abaixo,
que o Sol brinca nas árvores.
O bosque, a floresta, estendem-se sobre nós
contrariando, na sua Paz,
o fragor que a todos quer engolir.
Enquanto a vida silva, saltita, se some e se sacode,
os arbustos riem na Luz  que os envia para longe.
Lentamente, o silêncio.
A multidão das sombras tudo tomou.
Até amanhã.

(Publicado no blogue de 
M. Fonseca Santos 77 palavras)
(fonte da imagem: n/a)