segunda-feira, 27 de abril de 2015

entardece

Um corpo marcado pelo vento,
as águas formam trilhos,
espreguiça-se o compasso,

a bússola treme.
O vento tresmalha algumas folhas,
só se ouve o restolho.
A colina beija, lentamente,
o riacho que se espalha
na brandura de um entardecer;
o sol fixa-se,
um gesto expectante ganha forma,
e o tempo pára,
numa apoplexia deslumbrante:
cerejas misturam-se no pó,
amoras mergulham sôfregas nos córregos,
a brisa morna tudo envolve numa prodigiosa
salada de frutas.
Entardece então.                         

quinta-feira, 9 de abril de 2015

2 textos com 1 refrão


Texto número um














O caminho abre-se agora.
Sonhaste este dia,
até os olhos te doerem.
Chegou agora.
Vai!
Agarra o vento!
Agarra o céu!

Sê a dona dos teus passos:
é esse o teu destino!



Texto número dois

Agora és livre!
Agora os teus pulsos
desataram-se
na certeza da manhã clara,
do verbo cintilante.
Vai!
Agarra o vento!
Agarra o céu!
Sê a dona dos teus passos:
é esse o teu destino!