quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

visto

Já esqueci 
onde páram os meus olhos.
Eles vêem por mim,
passeiam-se por mim,
mas não os vejo.

Pardais à solta,
caminhantes por corredores escusos,
falhos na memória,
são, no entanto,
os meus olhos
que não vejo.
Às vezes 
encontro outros olhos,
que os fixam,
olhares fugidios,
verdes ou azuis ou castanhos,
ou mais,
mas logo se desviam,
na recusa do jogo.
(..,)
Não vejo os meus olhos,
mas bem vistas as coisas,
miro,, observo, reparo,
e o mundo vê-me,
na esteira ensolarada dos dias,
no manto vazio da noite,

Afinal,
quantos eus
sou eu?

(fonte da imagem: n/a)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Esplanada

Mais um dia.
A esplanada,

a mesa,
o copo,
deslizavam

rumo a um sol
[estático].
O vento,
doce melancolia,
sugava-me para um lago 
não distante,
numa
[voragem]
de águas.

Mais um dia.
Tudo era sépia,
massa silenciosa,
meu 
[esquecimento],
minhas mãos soltas,
separadas,
livres,
abrindo-se em
[sentido único].

(Imagem do autor 
obtida com telemóvel:
Penacova e arredores,
início de 2016)