domingo, 9 de abril de 2017

a negro

The dying swan by eReSaW
Timbrei o meu escrito:
os verbos,
os sujeitos
(tantos esses),
os complementos
(que, na sua limpidez,
na precisão do seu eixo
nada apontavam).

As palavras - tantas vezes - 
cansam,
enredam-se na boca,
na ponta dos dedos;
nem mostram a humildade
de um poente
caindo sobre si,
cisne morrendo-se.

Entretanto,
tenho de escrever,
escrever muito,
escrever de cor,
escrever até 
a dor derrotar os sentidos.

Que ofício este!
Ser e não ter,
ter e não ser...

(...)

e as palavras sem dono,
sem mestre,
vogando,
vogando sempre.

(fonte da imagem:
http://eresaw.deviantart.com/art/The-dying-swan-272293091)

1 comentário:

Graça Pires disse...

Por certo que as palavras hão-de trazer um novo ritual para incendiar o poema...
Muito belo!
Uma boa semana, Jaime.
Um beijo enorme, já que finalmente consegui comentar-te.